O mundo desconhecido do século XV – os monstros marinhos

Nestas duas semanas em que não foi possível continuar com as aulas presenciais, os alunos do 5º ano, à distância, iniciaram o estudo da Expansão Portuguesa e desenharam possíveis monstros e seres estranhos que povoavam o imaginário das pessoas daquela época. Aqui ficam alguns desses seres fantásticos…

A história da minha vida no Século XIV

No século XIV eu vivia no Sátão.

Era uma zona montanhosa, com muita floresta, poucos campos férteis para cultivo e água em abundância.

Eu pertencia ao grupo social mais desfavorecido, o povo.

Vivia numa aldeia no cimo de uma colina. A minha casa era de madeira, coberta com colmo e tinha o chão de terra batida. Era muito pequena, tinha apenas um compartimento onde vivia com os meus pais, minha avó paterna e meus quatro irmãos mais novos.

Nesse compartimento, dormíamos, cozinhávamos as poucas refeições e aquecíamo-nos à lareira nos longos invernos frios e chuvosos.

A nossa alimentação era pobre, à base de legumes, ovos pão e vinho. Também havia fruta da época. Tanto a castanha como a avelã eram guardadas pela minha mãe para fazer a sopa no inverno, época em que tínhamos menos alimentos. A carne era só para os dias de festa.

O nosso vestuário era muito simples, feito de linho ou lã e confecionado pela minha mãe e avó.

Os meus pais andavam descalços, a minha avó usava sandálias e eu e os meus irmãos usávamos botas de couro untadas com sebo.

Quando acompanhávamos os meus pais a alguma feira cantávamos e dançávamos, era uma alegria. Fora disso, só os meus irmãos mais novos é que brincavam, o resto da família passava os dias no campo e a guardar o gado.

Os meus pais cultivavam algumas terras de um nobre a quem chamavam Senhor, pagavam-lhe a renda em bens alimentares tais como trigo, milho e gado.

Os invernos eram chuvosos e visto o Sátão ter muita abundância de água, havia terrenos que deixavam de ser férteis, pois as sementes apodreciam.

Devido à grande falta de bens para consumo a classe do povo, assim como a minha família começou a passar imensa fome. A minha mãe fazia para as nossas refeições sopa de unto. Eu não gostava desta sopa pois tinha gordura animal e sabia a renço.

As pessoas do povo ajudavam-se umas as outras com a troca de produtos. A minha mãe trocava com outras camponesas unto por farinha e legumes por vinho.

Os grandes senhores continuavam a viver nas casas acasteladas, e mesmo sabendo das imensas dificuldades que a região estava a passar, continuavam a exigir aos meus pais e às pessoas da aldeia o pagamento dos impostos. Independentemente de a colheita ser boa ou má, os grandes senhores queriam na época da recolha dos frutos a sua parte. Os meus pais não tinham como pagar, pois não tinham bens alimentares.

Todos os dias morriam crianças e velhinhos pois eram o grupo mais frágil. Nessa época, a partir do oriente espalhou-se pela Europa uma doença muito contagiosa, a Peste Negra, que se espalhou em 3 meses por todo o continente. Ao Sátão chegou com força, pois matou pessoas de todas as faixas etárias e classes sociais principalmente a classe do povo, que era a que tinha menos higiene e que estava mais fraca a nível de saúde devido à pouca alimentação. Nessa época, também perdi a minha avó e os meus dois irmãos mais novos. Havia menos pessoas a trabalhar nas terras.

Passamos por um período difícil pois havia peste, fome e imensa guerra. A guerra foi devido aos camponeses do Sátão revoltarem-se contra os seus senhores e contra o próprio reino, devido a tanta dificuldade porque estavam a passar. Houve revolução não só no Sátão, como em vários reinos vizinhos.

O rei D. Fernando também se envolveu em várias guerras com Castela. A fome e a guerra continuaram. Em 1383 morre o rei D. Fernando. Ao longo de 2 anos houve crise política devido à sucessão ao trono e à quase perda da independência. Em 1385 D. JoãoI, é por fim, aclamado rei de Portugal.

Na minha opinião D. João I Mestre de Avis foi um bom rei, porque lutou pela independência de Portugal, mandou construir o Mosteiro da Batalha e foi através dele que se levantou um mundo novo e uma nova geração de gentes

Edgar Silva, Nº5, 5ºB

 

A vida de um camponês (Aula virtual 1 de HGP – 19/03/2020)

 

Eu sou um camponês que vivia no senhorio de D. Joaquim.  Ali a vida era cruel, os impostos altíssimos e muitas vezes não conseguia ficar com alimento para a minha família.

Mas, um certo dia, vieram avisar o povo que existia uma praga chamada peste negra. Avisaram que praticamente 1\3 da população já tinha morrido com a peste. Fiquei muito preocupado, pois não queria morrer, nem ficar sem a minha família.

No início todos ficamos preocupados e desconfiados. Era cada um por si, a tentar guardar o máximo de alimentos que conseguia encontrar nos campos e currais.

Entretanto, a peste alastrava-se e nada a fazia parar.

Tivemos de nos unir, pois tudo começava a faltar e cada vez morriam mais pessoas com a peste. Chegaram a morrer famílias completas.

As que conseguiram sobreviver foi com poucos recursos. Graças à partilha dos que mais tinham com os menos favorecidos, mantiveram a Fé e Esperança em dias melhores. Estavam todos unidos para tentar ultrapassar os dias difíceis que viviam.

Felizmente, um ano depois, a peste foi ultrapassada. Mas uma coisa pior estava prestes a acontecer, estávamos a perder a independência.

No entanto, havia uma pessoa que conseguiria mantê-la, D. João Mestre de Avis. Ele traria a independência de volta a Portugal. Todo o povo estava do lado de João, bem como a burguesia. D. João conseguiu-nos ajudar a manter a independência. Foi o regedor e defensor do reino. E aí começou a dinastia de Avis.

Miguel Pina, n.º 16 – 5º B

Camponês do século XII e XIV

Sou o Dinis, um simples camponês, vivo com a minha família num senhorio no Alto Douro.

Temos uma vida muito dura e difícil, trabalhamos de sol a sol nos campos do Senhor e ainda assim temos que lhe pagar imensos impostos para garantir a nossa proteção.

Passamos muita fome, a nossa alimentação baseia-se em pão negro (uma mistura de cereais ou castanhas) que acompanhamos com cebola, alho ou toucinho. Nos dias de festa, por vezes, comemos queijo, ovos e carne.

As nossas únicas distrações são: a missa, procissões e romarias.

Estamos a passar uma fase muito complicada, o reino esta aterrorizado, surgiu a peste negra é uma muito ruim, que pode ser transmitida pelos ratos, piolhos e mosquitos. Está a morrer muita gente, e por consequência, os Senhores aumentaram os impostos.

Como vamos nós sobreviver a esta situação?

Temos que nos revoltar contra os nobres!

E fomos à luta! Mas infelizmente, esta nossa revolta só veio provocar mais mortos e um castigo por parte do rei D. Fernando, a criação da Lei das Sesmarias.


Já não bastava esta crise, agora o rei D. Fernando envolveu-se em guerra com Castela. Mais tarde, o rei foi obrigado a assinar o tratado de Salvaterra de Magos para manter a independência do nosso país.

Passado algum tempo, D. Fernando morreu e D. Leonor Teles mandou aclamar a sua filha, D. Beatriz rainha de Portugal.

Em Lisboa houve uma grande revolta, por parte do povo, pois todos tínhamos medo de que passássemos a ser governados por estrangeiros, visto que D. Beatriz era casada com D. João, rei de Castela. Devido a esta situação, D. João, Mestre de Avis, foi nomeado para matar o Conde Andeiro.

Segundo ouvi dizer, a rainha fugiu, e agora quem vai governar?

Lá em Lisboa, o povo e a burguesia juntaram- se e pediram a D. João, Mestre de Avis, que aceitasse o cargo de regedor e defensor do reino com esperança de melhorar as nossas condições de vida.

D. João, Mestre de Avis foi eleito rei de Portugal nas cortes de Coimbra!

Valente homem!

D. João, Mestre de Avis sempre lutou pela independência de Portugal e garantiu-nos melhores condições de vida.

Viva D. João, MESTRE de Avis… viva!!!

Dinis Pereira, 5º A    

A minha vida no Séc. XIII e XVI

 

Olá, eu sou a Mafalda, tenho 10 anos e vivo numa pequena casa, nos casais do senhorio. O senhorio são terras de um nobre senhor, doadas pelo rei.

A minha casa é feita de madeira, tem teto de colmo e terra batida. Lá, vivo com os meus pais e com o meu irmão. Vivemos com muitas dificuldades, somos pobres e não temos muita coisa.

Enquanto os meus pais trabalham no campo do senhor, eu cuido do meu gado e do meu irmão. Nós trabalhamos muito de sol a sol e não paramos nunca.

Apesar de trabalharmos muito ainda temos de pagar impostos ao dono das terras. Para podermos utilizar o forno e o moinho, e colher algum fruto da terra também temos que pagar uma renda.

Nos dias de missa, procissões e feiras, eu fico muito feliz, pois saímos de casa e divertimo-nos dançando e cantando. Trabalhamos muito mas somos felizes.

Houve uns tempos que foram muito difíceis. Com o mau tempo, muita chuva, tudo o que semeámos não deu fruto. Não havia nada para comer então surgiram tempos de fome, muita gente ficou sem nada para comer. E os meus pais ficaram muito preocupados comigo e com o meu irmão.

Depois houve uma doença terrível que matou muita gente, foi a Peste Negra. Como na nossa aldeia não havia higiene nas ruas, apareceram muitas ratazanas e ratos que espalharam a doença. Tivemos dias horríveis, as pessoas na aldeia começaram a ficar muito doentes. Morreu muita gente. Mas felizmente, para mim e para a minha família, correu tudo bem. Aconteceram várias guerras, que provocaram muitas mortes e a destruição de campos agrícolas.

Como morreu muita gente e houve falta de trabalhadores, os senhores aumentaram os impostos para continuarem a ter as suas regalias. Todos se revoltaram, o meu pai e os meus vizinhos formaram uma guerra contra os senhores. Ao povo juntaram-se pessoas da burguesia.

Quando D. Fernando morreu Dª. Leonor de Teles foi aclamada regedora, mas ela tinha um concelheiro que era o conde Andeiro da Galiza.  O povo não gostava nada dele porque tinham medo que Portugal perdesse a Independência. Houve então uma divisão, os nobres e o clero juntaram-se a Dª. Beatriz, filha de D. Fernando, e o povo e alguma parte do clero e da nobreza juntaram-se a D. João Mestre de Avis. 

Após varias guerras entre D. João Mestre de Avis e D. João rei de Castela, marido de Dª. Beatriz, Portugal venceu e D. João Mestre de Avis passou a ser Rei de Portugal.

Finalmente, com o nosso novo rei, D. João I, espero que a nossa vida fique melhor, porque ouvi dizer que ele é bom para nós. E preocupa-se em manter Portugal independente.

Trabalho realizado por 

Mafalda Rodrigues da Fonseca nº 15

O meu rasto no Século XIII e XIV

Clicar para ver a parte 1 do trabalho:

trabalho de historia parte1

Partilho convosco histórias vividas e sentidas. E como em todas as histórias de vida temos relatos bons, alegres e divertidos e outros momentos mais difíceis, sofridos e por isso muito marcantes.

No século XIII a sociedade portuguesa estava dividida em três grupos sociais: o clero, a nobreza e o povo. O clero e a nobreza pertenciam ao grupo privilegiado porque possuíam muitas terras doadas pelo rei, terras senhorias, não pagavam impostos ao rei, cobravam impostos ao povo, aplicavam justiça na suas terras e ocupavam lugares junto do rei. O povo pertencia ao grupo não privilegiado porque trabalhava nas terras do rei, clero e nobreza, pagavam muitos impostos e prestavam serviços aos donos das terras.

Eu sendo filho de camponeses, camponês era. Raramente as pessoas do povo ascendiam à nobreza. Todos os que não pertenciam à nobreza ou ao clero faziam parte do povo.

Trabalhava na agricultura, desde que nascia a luz do dia até escurecer, e todo o povo trabalhava nas diferentes atividades económicas de onde vinha o sustento para toda a população. Trabalhava terras que não me pertenciam, tinha uma vida difícil e com grandes dificuldades devido a muitos impostos que tinha de pagar.

Os camponeses habitavam em aldeias, nos casais, formadas por casas e pelas terras que cultivavam. A mina casa era de madeira, de terra batida e coberta de colmo. Usava a lareira para me aquecer, iluminar e cozinhar. Dormia sobre palhas e o meu vestuário era simples, feito em tecidos de linho e lã. Umas vezes anda descalço, outras com uma espécie de sandálias e outras vezes com umas botas. Também tinha alguns momentos de diversão aproveitava as festas religiosas e as feiras para cantar e dançar, era um excelente dançarino e adorava dançar.

Durante o reinado de D. Dinis Portugal alcançou um grande desenvolvimento económico e social. Na segunda metade do século XIV a Europa viveu um período difícil marcado pela fome, guerra e doenças.

As várias guerras, onde destaco a guerra dos 100 anos, provocaram muitas mortes e destruição de campos agrícolas. A má alimentação e a falta de higiene levavam ao aparecimento de doenças. Umas das mais terríveis, e nesta altura senti muito medo por mim e pela família, foi a Peste Negra. Doença contagiosa que matou um terço da população europeia e vitimou muitos entes queridos.

Em Portugal esta crise foi agravada pelas constantes guerras Fernandinas. O rei D. Fernando envolveu-se em várias guerras com Castela.

A época que eu mais recordo com carinho e afogo foi após a morte do rei D. Fernando porque havia o risco de Portugal perder a independência e essa era uma luta que não queria nem aceitava perder. Fiz tudo o que podia na minha humilde condição de camponês para ajudar.

  1. Beatriz, única filha de D. Fernando, era casada com um rei de Castela. Após a morte do rei D. Fernando a sua esposa D. Leonor Teles ficou regente do reino e aclamou D. Beatriz, a legitima herdeira, ao trono como rainha de Portugal.

Esta aclamação levou o povo a revoltar-se e eu de forma ativa e empenhada contribui para o aumento desta revolta junto do povo. Não podíamos perder a independência. E por Portugal, juntos e unidos tudo faríamos para manter a independência. Assim prestei o meu apoio ao Mestre de Avis e dispomos-me para fazer parte do seu exército.

Mestre de Avis foi o responsável pela execução da morte do Conde Andeiro, conselheiro castelhano de D. Leonor Teles que em nada defendia os interesses de Portugal.

Foi então que a população portuguesa se dividiu, de um lado tínhamos os apoiantes de D. Beatriz e de outro os apoiantes de Mestre de Avis. O povo, no qual eu estou inserido, burguesia e parte do clero e parte da nobreza apoiavam Mestre Avis porque não queríamos perder a independência e nem ser governados por um rei estrangeiro. Grande parte do clero e grande parte da nobreza apoiavam D. Beatriz porque receavam perder os seus privilégios.

O rei de Castela invade Portugal para fazer valer os direitos da sua esposa e ocupou Santarém, invadiu também o Alentejo mas essa vitória  vencida por D. Nuno Álvares Pereira, ao serviço do Mestre Avis na batalha de Atoleiros. Esta vitória portuguesa não foi suficiente para fazer recuar o rei de Castela que avançou com o seu exército e cercou Lisboa durante 3 meses.

Estávamos sem rei e era urgente escolher alguém. Foi escolhido o mestre de Avis, nas Cortes de Coimbra e aclamado de D. João I, Mestre de Avis rei de Portugal. Claro que o rei de Castela não gostou de receber esta notícia e invadiu novamente Portugal.

Primeiro deu-se a batalha de Trancoso, vencida pelos português e a 14 de Agosto de 1385 a batalha de Aljubarrota, nesta batalha fui gravemente ferido e por muito pouco não estava cá para contar esta história. Os castelhanos são expulsos definitivamente de Portugal e D. João procurou um aliado forte para o ajudar em caso de nova guerra.

As crises de 1383-1385 provocaram grandes alterações na sociedade portuguesa. Todos os apoiantes de D. João I foram recompensados. Eu também fui compensado, à semelhança de outros, como nobres de pouca importância e alguns burgueses. A maior compensação que poderia ter estava ganha, saí com vida das guerras, fomes, doenças e Portugal manteve a independência.

Fui um apoiante ativo de D. João I, tinha-lhe um grande respeito e consideração pelo seu empenho e dedicação a um povo, a um reino. Um grande homem e à semelhança de outros que marcaram a nossa história com atos heróicos, por todo nós um povo, por Portugal.

Passei momentos de grandes dificuldades, incertezas e medos.

Deixe-vos um pequeno testemunho por mim vivenciado.

Martim Ferreira, 5B