Estado Novo – testemunhos

Este é o testemunho que nos deixou a Mariana Teixeira, nº 14,  do 6ºD.

Escola no tempo de Salazar

As escolas no tempo de Salazar, Estado Novo, não eram iguais às atuais. E hoje venho contar-vos as informações que tenho de familiares meus que viveram nessa fase.

Primeiro vou contar-vos que os professores incutiam a ordem, o respeito e a disciplina. Não havia turmas mistas como há agora. Antigamente havia uma escola para as raparigas e outra para os rapazes e eram obrigados a usar farda. Também eram castigados fisicamente.

Naquele tempo as secretárias eram muito diferentes de agora, eram feitas de madeira e agarradas aos bancos. Todas as salas de aula tinham uma cruz e os alunos eram obrigados a cantar o hino nacional e rezar todos os dias.

Na época, a escola não era obrigatória. Por esse motivo, não havia tantos alunos e havia muitas raparigas que não frequentavam a escola, pois os pais achavam que elas não precisavam de saber ler e escrever. Tinham que trabalhar nos campos, cuidar da casa e cuidar dos irmãos mais novos. Aliás, só os filhos de famílias com riqueza tinham direito de estudar. Muitos deles só concluíram a quarta classe.

Estas foram as informações que eu recolhi, e espero que, com elas, tenham ficado a saber um pouco de como era a escola no tempo de Salazar.

 Eva de Oliveira, nº2, 6C

A Escola no tempo de Salazar

A escola durante o tempo de Salazar era muito diferente da dos nossos dias.

Perguntei aos meus avós que andaram na escola, entre os finais dos anos 40 a inícios da década de 60, em diferentes aldeias pertencentes ao Concelho do Sátão.

Os meus avós Paternos que são mais velhos, só foram obrigados a fazer a 3.ª Classe, que era a escolaridade obrigatória daquela altura. Os meus avós maternos já tiveram como escolaridade obrigatória a 4.ª Classe.

A escola era uma casa em pedra, com chão em madeira, só tinham uma sala e um Professor que, ensinava todos os alunos, do 1.º ao último ano. A Sala tinha nas paredes uma foto do Américo Tomás, do Salazar e um Crucifixo. Não tinha qualquer tipo de aquecimento. Os alunos não podiam falar de qualquer maneira e não tinham direito de manifestarem as opiniões deles, não tinham qualquer liberdade de expressão.

Os manuais escolares eram únicos e duravam anos, passando de alunos para alunos, que não podiam escrever neles. Escreviam em pedras que eram os cadernos deles.

Aos Professores chamavam “Regentes”, eram antigos alunos que tinham a escolaridade obrigatória e que tinham apenas realizado um exame que lhes dava aptidão para darem aulas.

Os Professores eram muito exigentes, maus e violentos. Os meus avós contam que por errarem um exercício e estarem a conversar uns com os outros, levavam com réguas, eram colocados de castigo, em cima de areia, em joelhos e virados para a parede.

A minha avó materna que, vivia muito perto da Professora e a escola era numa aldeia vizinha, conta que a Professora tinha uma escalfeta para se aquecer, mas era a minha avó que tinha que a transportar todos os dias, para a escola e depois de volta para casa.

Alguns alunos reprovavam muitos anos e não chegavam a concluir a escolaridade.

A minha avó materna que dos 4 avós é a mais nova, conta que no final da 4.ª classe vinham ao Sátão fazer o exame, sem o mesmo reprovavam, no final quem passava comprava foguetes, para quando chegassem à Aldeia, os deitarem para todos ficarem a saber quem tinha ficado bem ou mal. Continuidade de estudos não havia, a não ser para alguns rapazes que iam para os Seminários.

A Escola no tempo de Salazar nada tem a ver com a dos nossos dias, temos bons Professores, boas instalações, temos liberdade de manifestar as nossas opiniões, brincamos uns com os outros, temos tempos livres, novas tecnologias que deram um grande avanço ao ensino. Ou seja, somos livres e felizes na Escola!

Francisco Rodrigues n.º 5  6.º B

As figuras do 25 de abril (Educação Tecnológica)

Trabalhos realizados em Educação Tecnológica